Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
A vida são deveres, que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira…
Quando se vê, já é Natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida…
Não deixe de ter alguém ao seu lado
por puro medo de ser feliz.
A única falta que terás será desse tempo que infelizmente…
não voltará mais.
Mario Quintana
Palavras. Essas ferramentas que usamos e abusamos no nosso dia a dia, que por vezes surgem em abundância e em algumas situações parecem perdidas no nosso inconsciente.
Quantas vezes imaginamos momentos, preparamos discursos, elaboramos frases para serem ditas na altura certa e aí elas nos faltam. Ficamos gagos, muitas vezes sem conseguirmos articular meia dúzia de palavras com sentido. Ou então, bloquemos, impotentes, sem capacidade para fazer ecoar qualquer som.
Salomão dizia que “a palavra branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” Saber como dizer as coisas e quando dizê-las é pois um dom quem nem todos temos, o que me faz recordar uma pequena história, com a qual esbarrei no universo da net. No essencial mostra-nos que, em muitos casos, mais importante do que a mensagem que queremos fazer passar, são as palavras que usamos como veículo para a sua transmissão.
O Dom da Palavra
Certa vez, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Ele acordou assustado e mandou chamar um sábio para que interpretasse o sonho.
“Que desgraça, Senhor!” –exclamou o sábio.”Cada dente caído representa a perda de um parente de Vossa Majestade!”.
“Mas que insolente” –gritou o sultão. “Como se atreve a dizer tal coisa?!”
Então, ele chamou os guardas e mandou que lhe dessem cem chicotadas. Mandou também que chamassem outro sábio para interpretar o mesmo sonho.
O outro sábio chegou e disse: “Senhor, uma grande felicidade vos está reservada! O sonho indica que ireis viver mais que todos os vossos parentes!”.
A fisionomia do sultão se iluminou e ele mandou dar cem moedas de ouro ao sábio.
Quando este saía do palácio um cortesão perguntou ao sábio: “Como é possível? A interpretação que você fez foi à mesma do seu colega; no entanto, ele levou chicotadas e você moedas de ouro!”.
“Lembre-se sempre” – respondeu o sábio. “Tudo depende da maneira de dizer as coisas, e esse é um dos grandes desafios da Humanidade. É daí que vem a felicidade ou a desgraça; a paz ou a guerra. A verdade deve ser dita sempre, não resta a menor dúvida, mas a forma como ela é dita, é que faz a grande diferença”.
(Auto desconhecido)
“A vida é o oceano
A tristeza e a felicidade são os ventos
Os pensamentos são as pontas das montanhas, que se
erguem como ilhas
A vida de uma pessoa é o seu veleiro.
Uma pessoa em harmonia
É aquela que sabe usar os ventos
como força para se impulsionar,
usar as ilhas para o seu descanso na sua jornada,
apreciar o balanço das ondas, como elas devem ser,
E ao final da jornada,
abrir um sorriso e dizer: a viagem valeu!
Uma pessoa em desarmonia
É aquela que sempre transforma os ventos numa tempestade,
Que ignora as ilhas, e as vêem como
obstáculos as suas jornadas,
Que acha que as ondas só podem estar no topo,
Que no fim da jornada apenas conta quantas vezes as ondas
desceram e quantas vezes o barco virou. “
Chao Lung Wen
O sorriso não é o mesmo que o riso. Separa-os um fosso tão grande como o que separa as lágrimas silenciosas, diante de um desgosto, dos gritos histéricos e lancinantes de quem não sabe dominar-se.
Bergson escreveu: “O riso é algo que irrompe num estrondo e vai retumbando como o trovão na montanha, num eco que, no entanto, não chega ao infinito”. O sorriso, pelo contrário é silencioso como chuva mansa que cai e fertiliza a terra ou como brisa suave que acaricia e refresca o rosto. Enquanto o riso é extroversão, o sorriso desvenda delicadamente o interior de quem sorri.
O poder do sorriso é grande, e saber sorrir é algo de muito importante. Antoine de Saint-Exupéry diz: “No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo como pessoa, e a resposta do seu sorriso quer dizer que nós também somos pessoa para ele”.
O sorriso traduz, geralmente, um estado de alma; é um convite a entrar na intimidade de alguém, a participar do que lhe vai no íntimo. É por isso que o homem é o único animal que sorri; e, como é dotado de inteligência e vontade, pode sorrir quando tudo vai bem ou sorrir mesmo que as coisas corram menos bem – tudo se resume na harmonia interior.
O sorriso é o que primeiro acontece quando um rapaz e uma rapariga se olham e se enamoram. Não sabem explicar por que se enamoram, mas é-lhes impossível deixar de sorrir um para o outro, num sorriso cúmplice de quem não precisa de palavras para dizer o que sente. Se o enamoramento continua vem a fase em que, juntos, acham graça a tudo, sem prestarem atenção a nada do que os rodeia. Então, por vezes o seu sorriso muda-se em riso estrondoso, mas cristalino manifestando toda a força da sua juventude. Se o enamoramento leva ao namoro e este ao amor que conduz ao casamento estável, então saber sorrir é fundamental para vencer o desgaste da rotina do dia a dia e para evitar o afastamento de dois seres que, vivendo muito perto, estão interiormente afastados – não estão em sintonia.
É pois muito importante saber sorrir. Um sorriso pode dissipar uma angústia, se for simpático, ou aumentá-la se for sarcástico; pode estimular um trabalho, se for de aprovação, ou desanimar quem trabalha se for cínico; pode criar uma amizade, se for sincero e transparente, ou um afastamento se for hipócrita; pode humilhar de modo irreversível se não for autêntico e espontâneo. O sorriso pode ser um grande auxiliar na educação.
Não o sorriso que pactua com a asneira, mas o sorriso que acompanha uma repreensão justa e que mostra ao visado que, apesar da dureza e firmeza da repreensão, há amizade e compreensão.
Sorrir, porém, pode ser uma tarefa difícil. A dor e o cansaço tornam, por vezes, o sorrir muito árduo. Se há fortaleza interior então há sorriso, mas dorido. Perguntaram um dia a uma doente em grande sofrimento: “Como te sentes?”. A resposta foi desconcertante: com um sorriso-dorido respondeu: “dói-me tudo”. Mas como anda desvirtuado o sorriso! Será que podemos chamar sorriso o que vemos no rosto dos que assinam os “tratados de paz e cooperação”? Não, o que vemos não passa de um esgar. E termino com uma frase que vinha num calendário de bolso que me deram: “Não critique, ajude; não grite, converse; não acuse, ampare e… não se irrite, sorria”.
(Maria Fernanda Barroca)
P.S. Retirado daqui: http://educacao.aaldeia.net/sorriso.htm