Um passo em frente

Até quando esta saudade?…

Fevereiro 27, 2007 · 1 Comentário

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Dois meses. É esse o tempo que nos separa de ti. Do teu sorriso, da tua eterna paciência com o mundo. Dessas tuas últimas palavras de desilusão com a vida. “Agora que começava a ficar bem acontece-me isto”, dizias em tom de lamento, naqueles dias em que conseguias ultrapassar a dor e sentavas-te na cama, paciente, aconselhando-nos nas pequenas decisões das nossas vidas. E quando não aguentavas mais choravas, porque sabias que o fim estava próximo, apesar das palavras de esperança de todos os que te rodeavam.

Despedi-me de ti com um beijo e um até amanhã, sem saber que nunca mais te veria. Não consegui ver-te deitado, sem vida. Essa era uma imagem demasiado cruel para mim. Bastaram essas últimas semanas de dor, em que o teu corpo já não obedecia à tua vontade. Abraçavas-nos e afastávas-nos de seguida, tentando poupar-nos a esse teu sofrimento. Mas nós contínuavamos ali, porque apesar das circunstâncias, era o único sítio onde queríamos estar, como se, estando perto de ti, evitássemos que te levassem.

Talvez por isso tenhas escolhido partir  nos primeiros raios de sol, quando ainda não podíamos estar contigo. Tal como estavas, deixáste este mundo, confessou-nos mais tarde um dos enfermeiros. O teu coração e o teu cérebro deixaram de funcionar, sem qualquer reacção da tua parte. Deixáste-te levar e deixáste-nos nesta angústia de te perder. De não te sentir perto de nós.

Agora, mais do que a dor da tua ausência física, é esta mágoa de não te saber em melhor lugar. Essa incerteza do que a morte representa. Sei apenas que se a existência não termina quando a vida acaba, estás, de certeza, entre os anjos, a olhar por nós, como sempre fizéste desde que nos viste nascer para este mundo.

Categorias: Palavas soltas
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  • Kiara // Março 2, 2007 às 3:14 pm

    As palavras que escreveste transbordam mil sentimentos e fazem-me arrepiar… O dia-a-dia traz dissabores para todos. Todos sabemos que não poderemos evitar que um dia passemos por isso… Como tal, com incidentes, acidentes e acasos, mais cedo ou mais tarde todos aprendemos a nos conformar, mas com a saudade, a nostalgia, a ausência e a carência de estar com quem gostamos… com elas nunca nos vamos entender perfeitamente…
    Por isso, a solução, amiga, poderá passar pela partilha de sentimentos agradáveis com aqueles que ainda estão por cá, aqueles que te amam e nunca vão esquecer o quão és importante na vida deles… Aqueles que ontem, hoje e amanhã te rodeiam, te chamam, te esperam e te querem sempre por perto!
    Descobrir novos caminhos e cimentar junto dos que mais gostas os teus mais profundos sentimentos (os bons e os maus) podem ajudar a desvanecer a “batalha” que aquelas quatro palavras implementaram. Não é fácil, mas TU consegues. E ai verás que a “guerra”, será ganha por ti. Porque a vida é tua, porque não podemos enfrentar estas “senhoras” de outra forma que não cheios de coragem!
    Toca a combatê-las com provas de que a vida continua e, acima de tudo, continua concretizando o desejo de quem nos deixou…
    Força amiga!!!!

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